BOYER COE
DO FISICULTURISMO PARA A BODY MASTERS
Boyer está treinando pesado atualmente, e seu físico
parece pronto para competir. Será que um retorno está em seus planos?
por Steve Holman -Matéria publicada na revista IRONMAN Outubro de 1988
Lendas são difíceis de encontrar no fisiculturismo. O
esporte simplesmente não existe há tempo suficiente para gerar muitos daqueles
heróis corajosos tão comuns em outros esportes — como Babe Ruth, Ty Cobb,
Mickey Mantle ou Willie Mays no beisebol —, aquelas estrelas do esporte divinas
sobre as quais todos adorávamos ler quando éramos mais jovens. Claro, existem
algumas lendas do mundo do físico como John Grimek, Steve Reeves, Bill Pearl e
Reg Park, mas elas são raras e contadas nos dedos.
No entanto, se olharmos para os últimos 10 a 20 anos,
podemos ver os fisiculturistas que estão destinados a entrar para o Hall da
Fama do Fisiculturismo num futuro não muito distante —
"quase-lendas", por assim dizer. Homens como Schwarzenegger, Columbu,
Dickerson, Zane e Coe. Estes são os homens no limiar da imortalidade muscular
na mente dos fãs veteranos de fisiculturismo.
Você pode ter notado que os homens mencionados acima foram
todos vencedores do Mr. Olympia, exceto um — Boyer Coe. Embora esse título
tenha lhe escapado, ele ainda é considerado um dos grandes. E ninguém pode
dizer que Boyer não foi persistente; ele competiu no fisiculturismo por uns
bons 20 anos. E quando o circuito Grand Prix começou no início dos anos 80,
Boyer estava lá, posando em quase todos os campeonatos.
Naquela época, eram Mike Mentzer, Robby Robinson e Boyer
disputando o topo. Eles eram três dos maiores e melhores em um esporte que
finalmente estava saindo dos pequenos auditórios de escolas de ensino médio
para entrar nos Madison Square Gardens do mundo.
Mas após o Mr. Olympia de 1980 na Austrália (que Arnold
venceu) e o hiato temporário do circuito Grand Prix, Boyer decidiu que já
chega. Ele estava cansado de competir, então reavaliou seus objetivos e decidiu
se aposentar. Estava pronto para algo novo. E vejam só, em um curto ano, esse
"algo novo" realmente apareceu — algo que se encaixava na definição
de "oportunidade" de Boyer.
Foi no início de 1982 quando Boyer recebeu uma proposta de
Arthur Jones, o bombástico proprietário da Nautilus Sports/Medical Industries.
Arthur estava determinado a mostrar ao mundo, de uma vez por todas, que seu
sistema curto e intenso de musculação era o melhor; Boyer, se aceitasse, seria
a prova viva desse fato. Mas antes que esse experimento de treinamento pudesse
começar, havia uma exigência: para evitar conflito de interesses, Boyer teria
que vender suas ações na Body Masters, uma empresa de máquinas de exercícios
que ele fundou em 1977 na Louisiana.
Boyer estava relutante, mas decidiu arriscar. Afinal, a Body
Masters era uma operação modesta e com dificuldades na época, mal empatando nos
lucros, enquanto a Nautilus era uma empresa milionária em plena expansão. A
escolha era lógica. Ele arrumou suas coisas, vendeu suas ações na Body Masters
e seguiu para a terra dos pântanos, jacarés e octogenários — a ensolarada
Flórida — para testar as teorias da Nautilus.
Será que menos tempo na academia poderia realmente resultar
em mais massa muscular? Treinos curtos e de alta intensidade três dias por
semana produziriam os rápidos resultados musculares que Jones vinha prevendo há
tantos anos? Até então, tudo não passava de teoria; era o momento certo para
provar se essas conjecturas eram fato ou ficção, e Boyer era o homem de Arthur.
Boyer está com uma aparência extremamente muscular hoje
em dia — quase boa o suficiente para uma grande tentativa de retorno.
Mas, ao longo dos seis meses seguintes, Boyer perdeu massa
muscular. É verdade que ele estava passando por um divórcio e suas acomodações
na Nautilus eram apertadas e desconfortáveis, mas, por qualquer motivo, a
rotina não estava funcionando. Após seis meses, o experimento terminou
incompleto (e alguns anos depois, Jones disse que talvez treinar até a falha
não fosse a "solução definitiva" para o treinamento como ele pensava
originalmente). Boyer permaneceu na empresa por mais um ano, mas acabou
voltando para a Louisiana em busca de si mesmo.

Agora, seis anos depois, Boyer encontrou o que procurava.
Ele está de volta à Body Masters e está com um visual excelente aos 41 anos e
100 kg (220 libras). Sentado em frente a ele no restaurante Good Earth, em
Marina Del Rey, Califórnia, não pude deixar de notar seus antebraços rasgados
posicionados de forma imponente na mesa diante de mim. Obviamente, o homem está
se aproximando da forma física ideal de competição. Ele até me disse que seu
percentual de gordura corporal foi medido em menos de 10%.
Com esse fato exposto (junto com os antebraços maciços e
rasgados de Boyer), "retorno" foi a primeira coisa que me veio à
mente. "Certo, Boyer, você está planejando um retorno às
competições?"
"Bem", disse ele com um sorriso familiar, "está
sempre na minha cabeça. Não passa um dia sem que eu pense nisso, mas estou tão
ocupado com a Body Masters...Neste momento, a concorrência simplesmente não parece
possível.”
Será que Boyer estava tirando onda com a minha cara?
Considerando o progresso que a Body Masters tem feito ultimamente,
provavelmente não. Eles acabaram de lançar 23 novas máquinas e abriram um showroom
em Costa Mesa, Califórnia. Com uma estratégia de marketing inteligente e
designs de máquinas limpos, a Body Masters está recebendo pedidos mais rápido
do que o saque de um pistoleiro. Nada mal, considerando que Boyer e um sócio
começaram a empresa lá em 1977, em uma garagem dupla.
Boyer e Mike Luquette examinam o limitador de amplitude
em uma das máquinas de extensão de pernas da Body Masters.
“Nossas máquinas têm de tudo. Desde limitadores de amplitude
até suportes lombares ajustáveis, essas máquinas são as melhores do mercado, e
nós as precificamos de $200 a $500 a menos do que a Eagle, nossa principal
concorrente”, disse Boyer.
Eu podia ver o brilho nos olhos de Boyer quando ele me
contava sobre o sucesso e os projetos futuros da Body Masters. Ele estava
especialmente orgulhoso do marcapasso/regulador de ritmo (pacer)
eletrônico que eles desenvolveram. “Este marcapasso pode revolucionar a
indústria de máquinas”, disse ele, radiante como um pai orgulhoso.
“Basicamente, o marcapasso eletrônico ajuda o praticante a
treinar de forma mais estrita por meio de um feedback gráfico visual no
visor do mecanismo”, disse Boyer. “Este marcapasso é um aparelho pequeno e de
fácil leitura, posicionado para que o praticante possa observar.”
A velocidade adequada dos movimentos excêntrico e
concêntrico é programada no marcapasso; então, conforme o exercício é
executado, o praticante observa o visor e tenta manter suas repetições
alinhadas com as características da repetição ideal, alinhando dois feixes de
luz exibidos graficamente — é cada uma das repetições do praticante contra a
repetição ideal. O marcapasso também conta as repetições e, ao final da série,
dá uma porcentagem de quão bem o praticante se desempenhou em relação aos
ideais programados antes da série.
De acordo com Boyer, esse marcapasso torna a máquina quase
tão boa quanto ter um personal trainer. Ainda mais engenhoso é o fato de que a
Body Masters tornou esse marcapasso universal — eles podem instalá-lo em quase
todas as máquinas disponíveis no mercado.
“Nosso objetivo é simples”, disse Boyer. “Queremos dominar a
indústria de máquinas com a linha Body Masters.”
Tudo isso é muito bonito, mas, como eu estava dizendo antes,
Boyer é quase uma lenda no mundo do fisiculturismo, e o que eu realmente queria
desta entrevista era obter seus comentários quase lendários sobre certas coisas
associadas ao esporte.
Como: os esteroides são realmente necessários para
competir no meio profissional? Qual é a melhor maneira de treinar para obter o
máximo de massa muscular? Uma união ou coalizão de fisiculturistas
profissionais é possível? Mas antes, eu queria saber sobre Mike Mentzer,
revolucionário do fisiculturismo e criador do sistema de treinamento Heavy
Duty.
“Mike Mentzer era um bom amigo, mas não vejo aquele danado
há quatro anos”, respondeu Boyer em um tom bastante solene. “Sabe, ele
simplesmente nunca superou a competição do Mr. Olympia de 1980. Na verdade,
enquanto ele trabalhava comigo na Nautilus, não se passava um dia sem que ele
mencionasse isso.
Ele sempre dizia: 'Eu vou me vingar; eles vão pagar'. Ele
realmente acreditava que deveria ter vencido aquele campeonato, e eu percebia
que isso o estava corroendo por dentro.
“Quanto ao treino dele, com certeza ele fazia menos do que a
maioria dos fisiculturistas, mas ele é um indivíduo geneticamente muito dotado.
Ele cresceria com quase qualquer sistema.”
Falando em treino, eu também queria saber como eram os
treinos de Boyer hoje em dia. Ora, é para isso que nós, fisiculturistas,
vivemos, não é? As técnicas de treinamento das estrelas.
A máquina de elevação lateral da Body Masters — pura
qualidade artesanal.
“Bem, meu dia começa às três da manhã — é a única maneira de
eu treinar religiosamente e ainda conseguir cumprir a jornada de trabalho. Eu
treinos duas vezes por dia — uma às 4:30 da manhã e outra às seis da tarde —
cerca de uma hora a uma hora e meia cada sessão.
Eu uso uma rotina de três dias
de treino para um dia de descanso, mas sempre treinos com a mesma intensidade. Em
outras palavras, nunca mudo a intensidade em preparação para um campeonato; eu
sempre treino pesado.
A razão pela qual consigo manter essa intensidade é
porque eu amo treinar. Mesmo quando eu competia, a parte mais prazerosa era a
preparação para a batalha, não a competição em si.
“Também sou um firme defensor daquele velho ditado: 'a
variedade é o tempero da vida'. Mudo minha rotina aproximadamente uma vez a
cada seis semanas; isso mantém o entusiasmo em níveis máximos. Variedade e
entusiasmo — estes são pontos muito importantes para alcançar objetivos e ter
sucesso.”
Ah, o sucesso. Eis um tópico interessante. Por que algumas
pessoas tornam-se...
tornam-se bem-sucedidos enquanto outros nunca chegam
lá? “Você tem que gostar do que faz
para ter sucesso nisso”, disse ele em um tom convincente.
“Você também tem que
ser persistente. Eu sou como um pit bull — uma vez que mordo algo, não vou
largar até carregar comigo e ser meu. Isso se aplica ao fisiculturismo, aos
negócios ou a qualquer outra coisa.”
Boyer parecia estar se abrindo, então era hora de tocar no grande
assunto: as drogas. Considerando o status quase lendário de Boyer, a
honestidade deveria ser uma de suas prioridades.
“Ei, vou ser honesto”, disse ele (eu sabia
que ele seria). “Eu ganhei o Mr. America de 69 sem drogas, mas sabia que teria
que tomar alguma coisa se quisesse ganhar o Universe. Simplesmente não há como
atingir o tamanho e a muscularidade extremos que vemos no nível profissional
sem drogas.”
Mas e os competidores que
afirmam ser naturais e as mulheres que passam nos testes antidoping? “Esses grandes competidores que afirmam ser
naturais — eu não acredito nisso nem por um minuto. E as mulheres
fisiculturistas...
A maioria das grandes tomou alguma coisa em algum momento.
Já é difícil o suficiente para os homens construírem músculos sem esteroides.
Essa é a minha opinião.”
Isso resume
bem a questão. Outro tópico de interesse foi a questão do sindicato. Afinal,
Boyer e Mike Mentzer discutiram essa ideia no início dos anos 80. Talvez fosse
cedo demais naquela época, mas e agora, com o rápido crescimento do
fisiculturismo?
Uma coalizão de fisiculturistas profissionais é viável? “Para falar a verdade, provavelmente não
funcionaria”, disse Boyer, balançando a cabeça.
“A maioria dos fisiculturistas
simplesmente não se importa. Tudo o que importa para eles é treinar. É por isso
que apenas alguns — Tom Platz, Arnold, eu mesmo — se tornaram bem-sucedidos nos
negócios.
A maioria simplesmente não é profissional o suficiente — eles não
aparecem para sessões de fotos, se atrasam para seminários e exibições, dão
ataques de birra — é uma pena! Não vejo nenhum tipo de coalizão se desenvolvendo
tão cedo.”
Mas e se Boyer Coe decidisse
fazer um retorno e se tornasse o porta-voz dos fisiculturistas profissionais?
Com sua experiência, tino comercial e status quase lendário, ele poderia unir
os profissionais. O que você acha, Boyer?
“Estou ocupado demais”, disse ele. “A Body Masters é minha principal
preocupação no momento.” Mas assim que
a Body Masters estiver caminhando a passos largos (o que deve ser muito em
breve), quem sabe? Talvez ele considere a ideia.
"Boyer está treinando duro, seu físico está ficando mais definido a cada dia e ele está pesando 220 libras (100 kg) trincado." “Mesmo quando eu estava competindo, a parte mais prazerosa de tudo era a preparação para a batalha.”
Afinal, qual fisiculturista
treina em uma rotina dividida duas vezes ao dia, seis dias por semana, sem o
pensamento de competir espreitando no subconsciente? Certo, Boyer? “Como eu disse antes, não passa um dia sem
que eu pense nisso”, disse ele com uma piscadela.
Nota do editor: Para informações sobre a
linha de máquinas da Body Masters, escreva para Body Masters, P.O. Box 259,
Rayne, LA 70578 ou ligue para 1-800-325-8964. Na Califórnia, o showroom da Body
Masters em Costa Mesa pode ser contatado pelo telefone (714) 545-1959.