O ENCURTAMENTO DAS FIBRAS MUSCULARES CONTRA A RESISTÊNCIA: O QUE REALMENTE ACONTECE
Quando você levanta um peso, empurra
uma carga ou executa uma rosca para bíceps, algo muito específico está
acontecendo dentro do músculo. O movimento visível é apenas a consequência de
um processo microscópico complexo: o encurtamento das fibras musculares contra
uma resistência externa.
Esse tipo de ação é chamado de
contração concêntrica. Durante essa fase, os filamentos de actina e miosina
dentro da fibra muscular deslizam uns sobre os outros, encurtando o sarcômero,
que é a unidade funcional do músculo. O resultado é a aproximação das
extremidades do músculo e a produção de movimento.
Mas não é apenas “encurtar e pronto”.
O músculo está vencendo uma força externa. Quanto maior a resistência, maior a
demanda de recrutamento de unidades motoras. Estudos publicados no Journal of
Applied Physiology mostram que o aumento da carga exige ativação progressiva de
fibras musculares, especialmente as de contração rápida, responsáveis por maior
produção de força.
Esse encurtamento contra resistência
gera tensão mecânica, um dos principais estímulos para hipertrofia. A tensão
ativa vias moleculares como a mTOR, envolvida na síntese proteica muscular.
No entanto, o encurtamento é apenas
uma parte do ciclo. Existe também a fase excêntrica, quando o músculo alonga
sob tensão, e a fase isométrica, quando mantém força sem alterar comprimento.
Todas contribuem de formas diferentes para adaptação muscular.
Quando o movimento é realizado com
controle, o estímulo é mais eficiente. Movimentos rápidos demais podem reduzir
tempo sob tensão. Já cargas excessivas com execução inadequada podem
comprometer recrutamento ideal.
Entender o que acontece dentro da
fibra ajuda a enxergar o treino de forma mais estratégica. Não é apenas mover
peso do ponto A ao ponto B. É gerar estímulo mecânico suficiente para sinalizar
adaptação.
O músculo responde ao tipo de tensão
que você impõe.
Talvez a pergunta não seja apenas
quanto você levanta, mas como você está encurtando essa fibra contra a
resistência.
Fonte: Journal of Applied Physiology;
American College of Sports Medicine; European Journal of Applied Physiology
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